Sáb, 04 de julho de 2026, 23:07

Banca de DEFESA: KAIQUE MAXIMO DE OLIVEIRA CARVALHO
Defesa de Mestrado

DISCENTE: KAIQUE MAXIMO DE OLIVEIRA CARVALHO
DATA: 30/07/2026
HORA: 16:00
LOCAL: Sala de aula 202 - DID VII
TÍTULO: Distribuição espacial e tendência temporal da tuberculose em pessoas privadas de liberdade no Brasil
PALAVRAS-CHAVES: Análise Espacial; Epidemiologia; Estudos de Séries Temporais; Prisões; Tuberculose.
PÁGINAS: 57
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Enfermagem
SUBÁREA: Enfermagem de Saúde Pública
RESUMO:

Introdução: A tuberculose permanece como importante problema de saúde pública, especialmente em populações submetidas a contextos de maior vulnerabilidade social, como as pessoas privadas de liberdade. O ambiente prisional, caracterizado por superlotação, ventilação inadequada, elevada rotatividade populacional e limitações no acesso aos serviços de saúde, favorece a transmissão da doença e dificulta seu controle. No Brasil, o crescimento da população carcerária nas últimas décadas tem sido acompanhado pelo aumento da carga da tuberculose nesse grupo, reforçando a necessidade de análises que integrem aspectos epidemiológicos, temporais e espaciais. Objetivo: Analisar os padrões epidemiológicos, temporais e espaciais da tuberculose em pessoas privadas de liberdade no Brasil, no período de 2014 a 2024. Método: Estudo ecológico de base populacional, descritivo-analítico, com componente temporal e espacial, realizado a partir de dados secundários provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e do Sistema de Informações do Departamento Penitenciário Nacional, agregados por Unidade Federativa. Foram incluídos todos os casos novos de tuberculose notificados entre 2014 e 2024. As taxas de incidência foram calculadas com base na população prisional estimada. As tendências temporais foram analisadas por regressão segmentada (Joinpoint), com estimativa da variação percentual anual (APC) e da variação percentual anual média (AAPC), com respectivos intervalos de confiança de 95%. A distribuição espacial foi avaliada por meio de mapas coropléticos da incidência média por Unidade Federativa. Foram ainda analisadas características sociodemográficas, clínicas, diagnósticas, comorbidades, condições associadas e desfechos do tratamento. Resultados: Foram analisados 821.172 casos novos de tuberculose no Brasil, dos quais 78.034 ocorreram em pessoas privadas de liberdade. Observou-se predominância de indivíduos do sexo masculino (97,03%), com idade entre 20 e 49 anos (94,86%), não brancos (63,10%) e com baixa escolaridade. A forma clínica pulmonar foi predominante (95,34%). A confirmação laboratorial foi elevada (81,78%), embora tenham sido identificadas lacunas na realização de exames, como cultura e Teste Rápido Molecular, não realizado em 46,08% dos casos. A incidência apresentou tendência crescente no período analisado (AAPC: 4,79%; IC95%: 0,21–9,58), com ponto de inflexão em 2017, seguido de estabilização. As maiores taxas de incidência e as tendências de crescimento foram observadas nas regiões Norte e Nordeste. A distribuição espacial revelou concentração de altas taxas em estados como Rio Grande do Norte, Pará, Sergipe e Rio de Janeiro. Em relação aos desfechos, observou-se maior proporção de cura entre pessoas privadas de liberdade (73,69%) em comparação à população não privada de liberdade (68,45%). Conclusão: A tuberculose empessoas privadas de liberdade apresenta elevada magnitude, tendência crescente e importante desigualdade territorial no Brasil. Esses achados evidenciam a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, ampliação do diagnóstico precoce, qualificação do cuidado e implementação de políticas públicas intersetoriais voltadas à redução das vulnerabilidades estruturais no sistema prisional.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3357466 - MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA GÓES
Interno - 1778449 - MARCUS VALERIUS DA SILVA PEIXOTO
Interno - 1256120 - CAÍQUE JORDAN NUNES RIBEIRO
Externo ao Programa - 2928966 - SHIRLEY VERÔNICA MELO ALMEIDA LIMA
Externo à Instituição - KEILA CRISTINA COSTA DOS SANTOS


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