DISCENTE: KAIQUE MAXIMO DE OLIVEIRA CARVALHO
DATA: 29/05/2026
HORA: 16:00
LOCAL: Sala de videoconferência 402 - DID VII
TÍTULO: Análise espacial e temporal da tuberculose em pessoas privadas de liberdade.
PALAVRAS-CHAVES: Análise Espacial; Epidemiologia; Estudos de Séries Temporais; Prisões; Tuberculose.
PÁGINAS: 57
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Enfermagem
SUBÁREA: Enfermagem de Saúde Pública
RESUMO:
Introdução: A tuberculose permanece como importante problema de saúde pública, especialmente em populações submetidas a contextos de maior vulnerabilidade social, como as pessoas privadas de liberdade. O ambiente prisional, caracterizado por superlotação, ventilação inadequada, elevada rotatividade populacional e limitações no acesso aos serviços de saúde, favorece a transmissão da doença e dificulta seu controle. No Brasil, o crescimento da população carcerária nas últimas décadas tem sido acompanhado pelo aumento da carga da tuberculose nesse grupo, reforçando a necessidade de análises que integrem aspectos epidemiológicos, temporais e espaciais. Objetivo: Analisar os padrões epidemiológicos, temporais e espaciais da tuberculose em pessoas privadas de liberdade no Brasil, no período de 2014 a 2024. Método: Estudo ecológico, descritivo-analítico, com dados secundários provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e do Sistema de Informações do Departamento Penitenciário Nacional, agregados por Unidade Federativa. Foram incluídos todos os casos novos de tuberculose notificados no período. As taxas de incidência foram calculadas com base na população prisional estimada. As tendências temporais foram analisadas por regressão segmentada (Joinpoint), com estimativa da variação percentual anual (APC) e da variação percentual anual média (AAPC), com respectivos intervalos de confiança de 95%. A distribuição espacial foi avaliada por meio de mapas coropléticos da incidência média por Unidade Federativa. Foram ainda analisadas características sociodemográficas, clínicas, diagnósticas, comorbidades, condições associadas e desfechos do tratamento. Resultados: Foram analisados 821.172 casos de tuberculose no Brasil, dos quais 78.034 ocorreram em pessoas privadas de liberdade. Observou-se predominância de indivíduos do sexo masculino (97,03%), com idade entre 20 e 49 anos (94,86%), não brancos (63,10%) e com baixa escolaridade. A forma clínica pulmonar foi predominante (95,34%). A confirmação laboratorial foi elevada (81,78%), embora tenham sido identificadas lacunas na realização de exames, como cultura e Teste Rápido Molecular, não realizado em 46,08% dos casos. A incidência apresentou tendência crescente no período analisado (AAPC: 4,79%; IC95%: 0,21–9,58), com ponto de inflexão em 2017, seguido de estabilização. A análise regional evidenciou maiores magnitudes de incidência e crescimento nas regiões Norte e Nordeste. A distribuição espacial revelou concentração de altas taxas em estados como Rio Grande do Norte, Pará, Sergipe e Rio de Janeiro. Em relação aos desfechos, observou-se maior proporção de cura entre pessoas privadas de liberdade (73,69%) em comparação à população não privada de liberdade (68,45%). Conclusão: A tuberculose em pessoas privadas de liberdade apresenta elevada magnitude, tendência crescente e importante desigualdade territorial no Brasil. Esses achados evidenciam a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, ampliação do diagnóstico precoce, qualificação do cuidado e implementação de políticas públicas intersetoriais voltadas à redução das vulnerabilidades estruturais no sistema prisional. |
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3357466 - MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA GÓES
Interno - 1256120 - CAÍQUE JORDAN NUNES RIBEIRO
Interno - 2030768 - ALLAN DANTAS DOS SANTOS
Externo ao Programa - 2928966 - SHIRLEY VERÔNICA MELO ALMEIDA LIMA
Externo à Instituição - KEILA CRISTINA COSTA DOS SANTOS





