Sex, 20 de fevereiro de 2026, 09:46

Banca de DEFESA: Marília Beatriz Tôledo Lima
Defesa de mestrado

DISCENTE: MARÍLIA BEATRIZ TOLÊDO LIMA
DATA: 23/02/2026
HORA: 13:00
LOCAL: Sala de videoconferência ECHO e online - Link: https://us02web.zoom.us/j/82878131896?pwd=tQuY46doIL
TÍTULO: PERCEPÇÕES E CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS E DE FORMAÇÃO DAS ENFERMEIRAS QUE ATUAM EM PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE
PALAVRAS-CHAVES: Terapias Complementares; Enfermagem de Atenção Primária; Atenção Primária à Saúde.
PÁGINAS: 96
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Enfermagem
SUBÁREA: Enfermagem de Saúde Pública
RESUMO:

Introdução: As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) têm sido implementadas no cuidado dos usuários do Sistema Único de Saúde e a Enfermagem desempenha um papel importante nessa implementação. Objetivos: Investigar a prevalência de atuação em PICS na rotina de trabalho público de enfermeiras(os) e fatores sociodemográficos e de formação associados; Identificar o perfil sociodemográfico e de formação de enfermeiras(os) que atuam com as PICS na APS; Compreender as percepções de enfermeiras(os) sobre a atuação com PICS na APS. Método: Trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa, transversal, descritiva e exploratória. Para a etapa quantitativa, utilizou-se parte do banco de dados de um macroprojeto (n=1.154) e foram selecionadas(os) enfermeiras(os) de instituições de saúde pública (n=674) e que informaram atuar com PICS na sua rotina de trabalho (n=196). Além disso, também foram selecionadas(os) enfermeiras(os) que além de possuírem formação em PICS (n=502) informaram realizar atividades com PICS na sua rotina de trabalho (n=323), especificamente na Atenção Básica (n=120). Os dados foram analisados no software R (versão 4.0.3) por meio de estatística descritiva e bivariada (Testes Qui-Quadrado de Pearson, Exato de Fisher e P de Tendência Linear), com nível de significância de 5%. A variável dependente do estudo foi a atuação em PICS na rotina de trabalho público. Já a pesquisa qualitativa consistiu em entrevistas online com seis participantes que atuavam com PICS na rotina da APS, para compreender as percepções sobre essa atuação. A coleta de dados foi realizada por meio de um roteiro semiestruturado composto por oito questões abertas. As entrevistas foram realizadas de forma online por meio da plataforma Zoom com os profissionais que manifestaram interesse prévio em participar dessa etapa. A análise das entrevistas seguiu o referencial de Bardin e foi realizada de modo manual com suporte de ferramentas de Inteligência Artificial. Resultados: A prevalência de atuação foi de 29,1% (196/674) e atuar na rotina de trabalho com PICS apresentou associação com faixa etária (p<0,001), renda (p<0,001), estado civil (p<0,001), ter filhos (p=0,002), região de naturalidade (p=0,04) e de atuação (p<0,001), tempo de formação (p=0,003), pós-graduação (p=0,008) e nível da pós-graduação (p=0,013). No que se refere ao perfil (n=120), predominou o sexo feminino, (89,2%), etnia branca (75%), com média de idade de 40 anos (DP=8,9) e com religião (85,5%), servidoras públicas (71,7%), com carga horária de 40 horas semanais (69,2%) e renda de 3 a 4 salários mínimos (39,2%), destacou-se a atuação nos estados de Santa Catarina (37,5%), Rio Grande do Sul (17,5%) e São Paulo (16%). Em relação à formação, 94,2% possuem pós-graduação, sendo que 49,2% tomaram conhecimento das PICS durante a trajetória profissional. As práticas mais comuns foram auriculoterapia (79,2%) e imposição de mãos/reiki (33,3%), a maioria em atendimentos individuais (93,3%), com dedicação de 1 a 2 horas semanais (43,3%). A totalidade dos participantes (100%) informou repercussão positiva na promoção da própria saúde e 97,5% consideraram que as PICS resultaram em maior autonomia profissional. A partir da análise de conteúdo das entrevistadas emergiram três categorias temáticas: 1) percepção do cuidado ampliado, indicando que a motivação para atuar com PICS está vinculada ao esgotamento do modelo biomédico; 2) estruturação da prática clínica da APS, indicando que a organização das PICS ocorre por agendas específicas ou integradas à rotina, com foco em mulheres e idosos com queixas de dor crônica e sofrimento emocional; 3) Desafios e barreiras para a legitimidade, que destacou obstáculos como, a falta de insumos, muitas vezes custeados pelos próprios enfermeiros, a lógica institucional de produtividade, a resistência de outros profissionais por desconhecimento e a fragilidade da educação permanente. Conclusão: Conclui-se que a prevalência de atuação em PICS entre enfermeiras(os) de instituições de saúde pública brasileira estão relacionadas com perfil caracterizado por maior faixa etária, tempo de formação e elevado nível de qualificação acadêmica, com destaque para a pós-graduação stricto sensu. Tais achados indicam que a incorporação das PICS na rotina assistencial resulta do amadurecimento técnico e da busca por autonomia frente às limitações do modelo biomédico tradicional. No contexto da APS, a prática ainda revela um perfil de profissionais em maior parte do sexo feminino, que buscam autonomia e identificam as PICS como ferramentas para um cuidado integral e humanizado. Contudo, a permanência e a consolidação dessas práticas tanto na rede pública quanto na APS, não dependem apenas do protagonismo individual, requerem políticas públicas de financiamento para a disponibilidade de condições materiais e incentivo à educação de modo a reduzir as barreiras financeiras, na formação especializada de enfermeiras(os).


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - DIÉSSICA ROGGIA PIEXAK
Externo ao Programa - 1738313 - CARLA KALLINE ALVES CARTAXO FREITAS
Externo à Instituição - TEREZA MARIA MENDES DINIZ DE ANDRADE BARROSO
Externo à Instituição - DANIELA DALLEGRAVE
Externo à Instituição - DAIANA CRISTINA WICKERT


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